EDITORIAL. 36
Um tesouro à vista de todos
.jpg)
António Telmo partiu há dezasseis anos, deixando um legado único: pela palavra, pelo gesto, pelo exemplo. Pela sua lucidez. E uma obra plena de indícios, trilhos e sugestões. Uma obra com o futuro dentro de si, à espera que ele chegue. No caso do filósofo, o futuro é um tempo grande, que dentro de oito meses e alguns dias se irá medir com três algarismos. Não se sabe se será um desafio para novecentos anos, à altura do que a pátria que é a sua está quase a superar. Mas importa hoje recordar o patriota que Telmo sempre se revelou. Num amor a Portugal que não era questão de emulação e fugia a qualquer forma degenerescente de patrioteirismo, antes se fundando numa nobilíssima visão do mundo, do homem e de Deus. O que nunca impediu o filósofo de ser crítico dos seus compatriotas, como quando, por exemplo, deplora na História Secreta Portal a “paródia mnésica” do Estado Novo, ou quando, no Desembarque dos Maniqueus na Ilha de Camões, não hesita em dar António Sérgio como a outra face de uma moeda chamada Salazar. Num tempo de “guerra civil” ideológica, urdida no imediatismo das redes sociais e, por isso, não raro acéfala e boçal, a obra de António Telmo continua a ser um tesouro bem escondido, à vista de todos…
