DOS LIVROS. 08
De um caderno de apontamentos. 03
N’Os Cavaleiros do Amor ou a Religião da Razão, Sampaio Bruno mostra-se sempre mais interessado em tornar evidente que o amor, tal como foi vivido pelos poetas medievais e renascentistas, é uma cifra de anti-Roma e daí vai que neles vê uma espécie de revolucionários ao modo moderno, quando por este se entenda a realização do Reino de Deus na República dos homens. Amor é anti-Roma e a Inquisição a monstruosa máquina trituradora do amor. Não dá Sampaio Bruno quaisquer indicações, pelo estudo dos poemas, de qual seria o pensamento, «escondido nos véus dos versos» que estaria na origem da oposição à Igreja de Pedro e aos seus dogmas, talvez porque achasse que disso tinha dito o suficiente na sua Ideia de Deus.
António Telmo
(Publicado em Congeminações de um Neopitagórico, 2006/2009)