DISPERSOS. 22
O historiador sesimbrense João Augusto Aldeia, membro do nosso Projecto, descobriu há dias, em O Sesimbrense, jornal de que já foi, aliás, por duas vezes, director, um poema esquecido dos bibliógrafos, assinado por António Telmo e Luís Paixão, que vem discretamente publicado no canto inferior esquerdo da última página da edição de 21 de Dezembro de 1980 daquele periódico, em que António Telmo, em diferentes épocas, publicou alguns dos seus escritos mais importantes, como “Os heterónimos de Fernando Pessoa”, “Gnose” ou “Legenda para o brasão de Sesimbra”.
Como quase sempre acontece nestas coisas, desconhece-se qual o contributo efectivo de cada dos autores na composição desta poesia, mas não se pode deixar de observar que a marca de António Telmo é bem visível na sua forma estilística e no fundo da sua ideação.

Incandescências
Este andar por andar porque cá ‘stou
Só com a luz de ser além de mim,
Este procurar rima ao que sou
Na incerteza de ser «não» ou de ser «sim»,
Este olhar p’la janela que me dou
Só com o abrir os olhos ao que vim,
Este par’cer-me a um remoto avô
Que, inconsciente de mim, me fez assim…
António Telmo e Luís Paixão
