UNIVERSO TÉLMICO. 45

01-11-2016 16:13

A pobreza dos sem tempo (1)

Risoleta C. Pinto Pedro

 

Há que saber distinguir os vários tipos de sentimento de carência em relação ao tempo:

. O tempo dos modernos escravos, cujo dia é totalmente preenchido pelo trabalho, deslocações para e do trabalho e o indispensável e insuficiente repouso para no dia seguinte continuarem a trabalhar e por conseguinte nem lhes sobra tempo para pensar ou sentir o que quereriam para lá do trabalho.

. O daqueles que, embora sabendo-o e pensando-o, não dispõem de tempo para o fazer.

. O dos que, conseguindo furar o sistema e tendo muitos pontos de interesse, não conseguem ter tempo para todos…

Tenho a sorte ou o privilégio (não digo merecimento, porque esse todos têm) de me situar no último grupo e de não depender do que crio para viver. Contudo, é disso que vivo. Não sendo isso que me paga as contas.

Assim, a criação é o meu espaço e o meu tempo de inteira liberdade. Se me apetecer ficar dez horas a escrever em non-stop, posso fazê-lo. Já aconteceu. E não as sinto. Isto é, não as sinto como peso, mas como leveza. É o tempo do relógio que, paradoxalmente, vem em minha ajuda a retirar-me da eternidade onde não sinto o passar das horas e o meu corpo fica repousado (a prova dos nove de que a mente está bem) como se voltasse à infância. Por outro lado, se quisesse passar uns dias sem escrever, desejo que nunca tive, poderia fazê-lo. E não acontecendo, nem desejando que aconteça, gosto de saber que poderia dar-me ao luxo de deixar acontecer.

O preço, que é ao mesmo tempo um prémio, é não me sentir obrigada a ir a nenhum lugar excepto aqueles aonde me leva o coração, ou a ter de falar com quem não me apetece, sobre o que não me apetece. Não vivo o tempo da tribo, vivo o meu tempo. E, não sendo escultora, moldo-o como gosto.

Como Agostinho da Silva, quando nos propõe o regresso a uma «vida conversável» ou à vagabundagem, no seu sentido mais solar.

Há uns bons anos, a minha filha, ainda muito pequenina, que andava na natação, no tai-chi, na dança e no piano e tudo lhe era fácil e natural, pelo que, julgava eu, nada lhe seria pesado, um dia virou-se para mim e disse-me que não queria voltar a nenhuma aula daquelasPorquê? Socorro-me do discurso indirecto livre para vos transmitir a sua resposta: precisava de mais tempo para brincar. Assim passou a acontecer. Brincou, brincou e brincou até que se fartou e começou...  a namorar. O sinal que a denunciou foi quando escondeu os ursos de peluche no armário, avessos à dignidade do novo estatuto.

Eu ainda ando a aprender a brincar com o tempo, a não o sofrer nem a empurrá-lo para a frente. A senti-lo, cheirá-lo, acariciá-lo, saboreá-lo, observá-lo. O que me vale é que as minhas actividades principais, nomeadamente a de escritora, são uma espécie de meditação, de que saio renascida como de um spa. A arte, que me salvou uma vez da eternidade, continua a salvar-me do tempo. Mas se não fosse isso, teria sérias dificuldades. Porque tenho um problema. É que gosto de muitas coisas e não tenho tempo para todas. No momento de vida em que estou, já não sou o tipo de pessoa que não tem tempo para o prazer por ter de ganhar a vida. Mas na verdade, quando tinha de ganhar a vida, nunca me alienei do prazer, trazendo-o para dentro do trabalho. O meu problema é que gosto de tanta coisa, que não tenho tempo para tudo. É como se vivesse numa casa cheia de guloseimas e não pudesse comê-las todas. Por falta de estômago ou de… tempo. Nesta situação, é preciso fazer escolhas. Escolher umas coisas e deixar, abandonar, largar outras. Não se pode avançar com carga excessiva às costas, ainda que sejam chocolates ou caramelos. É preciso escolher, e isso implica perder ou deixar para trás algumas coisas. Talvez o nosso problema com o tempo seja sobretudo um problema de escolha. Há uma canção cuja autoria não consigo assegurar, mas penso ser interpretada por Sara Tavares, cujo texto diz: «Sei que posso querer tudo, mas nem tudo me convém…».

De modo que convidarem-me a falar sobre o tempo é como convidar um criminoso a falar sobre a criminalidade. Não sou a pessoa mais indicada, mas talvez as pessoas menos indicadas sejam as mais indicadas. Se até aqui os legisladores, os políticos, os psiquiatras, os psicólogos, os polícias não conseguiram erradicar a criminalidade, talvez tenha chegado o momento de chamar os criminosos. Assim se passa com o tempo. Se quem mais o sofre é quem melhor o conhece, talvez tenha, por isso, uma palavra a dizer, sendo que desconfio que qualquer ser humano, e não apenas eu, é um especialista do tempo, essa arte de suportar o peso do que não existe.

O tempo está relacionado com a questão da falta, do excesso, da inutilidade e do valor.

Há quem fale do desperdício de tempo. É um tema muito controverso e depende do que significar desperdício para cada um. Desperdiço tempo quando estou a trabalhar? Quando não estou a trabalhar? Quando vou à esplanada a conversar com um amigo? Quando estou na fila da ponte ou de uma qualquer cintura interna, externa ou marginal? Quando estou a dormir? Quando não estou a dormir? Quando ando a vaguear? Quando vou ver um filme estúpido? Quando fico um dia a jogar? Quando passo um dia a ler? Quando luto contra o sono? Quando passo um dia a dormir? Por aqui não nos entenderemos. Mas sei uma coisa, e não tenho sobre ela a menor dúvida: os minutos, horas, dias mais bem gastos de que me recordo, foram passados a conversar com o meu pai quando ele já estava numa cadeira de rodas devido ao Parkinson e o sentido do que dizia já não batia muito certo com a lógica, mas o que nos ríamos ambos com o nonsense das suas desconversas... Nesta fase, o meu pai já não podia dar-me nada, nem ensinar-me nada, ou ajudar-me em nada, nem sequer conseguia ter uma conversa com pés e cabeça. E no entanto, como me era precioso e preciso esse tempo que não servia para nada! Porque ele estava aqui. Era totalmente inútil e tinha todo o valor.

Estar, brincar, conversar com uma criança também é uma coisa que não serve para nada e é a coisa mais valiosa que se pode fazer no mundo.  Ou escrever um poema, esse ser inerte e inútil que nos salva. Ou escrever uma história cheia de pessoas que não existem e de factos que nunca aconteceram. Ou apoiar um animal em fim de vida, já incontinente e de olhar doce. Ficar ali a olhar para ele, a reconhecer o seu ser, a acariciá-lo, a apoiá-lo, a limpá-lo, a alimentá-lo, ou nada disso, apenas a dizer-lhe, com os olhos, que fique enquanto quiser, ter-nos-á ao seu lado e que pode partir quando já aqui não quiser estar, que permanecerá para sempre no nosso coração. São momentos em que libertamos o tempo e a nós mesmos, e conhecemos o verdadeiro valor. Que só está presente no inútil, no fraco, no pequeno e dentro de cada um de nós. Independentemente do que temos ou fazemos.

O contrário é sofrermos o tempo, ou por o sentirmos demais ou, mais frequentemente, por o sentirmos como escasso. No primeiro caso, estamos perante o tédio, como se o tempo fosse excessivo «para a nossa camioneta». No segundo, sentimos a angústia dos ponteiros a correr. Como se o tempo não chegasse.

Quando nascemos, a primeira respiração é, a maior parte das vezes, escassa ou aflitiva. A experiência fica na memória celular, como: Não há ar suficiente no Universo. Essa memória de escassez transmite-se ao dinheiro, ao amor, ao… tempo. E a vida, que está a nascer, mas já ameaçada pelo medo da morte, é desvalorizada. Começamos desde ali, inconscientemente, numa corrida urgente para o final cuja data antecipamos… uma corrida contra o tempo. E nada disto tem de ser assim. Começa a ser diferente, através da consciência que os pais, os educadores, os profissionais de saúde e cada um vai adquirindo sobre este absurdo assunto.

Mas nem sempre a humanidade viveu escravizada ao tempo. Nós, portugueses, que já soubemos vivê-lo poeticamente, podemos redescobri-lo. Quando sucessivos soberanos ao longo de gerações enviaram delegações por terra e mar à Etiópia em busca de Preste João e de seu maravilhoso reino, que significa isto? Que eram ingénuos? Que queriam gastar dinheiro e vidas inutilmente? Ou que estavam, muito mais do que nós, libertos do tempo, de algum modo situados num tempo poético ou eterno, esse que havia de chegar do futuro e salvar do excesso de pragmatismo a humanidade a partir da pretérita e eterna arte de navegar no tempo?

Somos o povo melhor preparado para ensaiar e ensinar ao mundo esta nova maneira de nos relacionarmos com o tempo, mas temos de reaprender o que já soubemos muito bem fazer.

Esses nossos antigos eus faziam o tempo e imortalizaram um imperador conservando-o no seu reino por sucessivos séculos à espera dos Portugueses que tanto o amavam sem o conhecerem. Era comércio, mas também era fé. E era amor. Havia inocência neste amplo gesto libertador do tempo. Ou escultor do espaço, pelo sagrado da viagem. Nós éramos o Preste João e estávamos à espera de nós mesmos.

E quem o fez foram os melhores de entre os melhores. Outro visionário, o Padre António Vieira, escreveu algo que no tempo em que ocorreu devia ser um título inimaginável. Ainda hoje, a História do Futuro o é, para o senso comum.

Nesta linha, diz Agostinho da Silva numa carta a António Telmo, referindo Os Lusíadas, que

«tudo se passa ao mesmo tempo no eterno dos deuses e até num eterno que sobrepassa o eterno dos deuses e no tempo dos homens, sendo que provavelmente o tempo dos homens não é mais que o sinal ou símbolo do eterno dos deuses.» (2)

Isto é, o tempo dos homens é que não é real, é apenas um deíctico, aponta para outro tempo. Não afirmo isto querendo diabolizar o tempo cronológico, mas alertando para a necessidade de acabar com o seu despotismo.

E acrescentaria que talvez o tempo da criação seja o que mais se aproxima disto, sendo que, como muito bem explicou António Telmo, também essa viagem dos portugueses se fez fora do tempo, porque é de um tempo iniciático que se trata:

«A hipótese que ponho é que Os Lusíadas são a narrativa poética de uma viagem de conhecimento, ou, se preferirdes, de uma ‘viagem iniciática’». (2)

Elenca seguidamente dez características da obra que fazem dela a tal viagem de conhecimento, sendo uma delas constituir:

        «uma infracção do que é lícito, uma violação do que é proibido ou vedado». (2)

Ora, nos tempos nossos, se quisermos ser integralmente livres, estamos sempre a violar o que é proibido ou vedado. Até o ar puro já é vedado, porque a possibilidade de conspurcá-lo pertence aos poderosos. Assim, é o tempo o único do qual podemos dispor sem interferências, seja na arte, seja na vagabundagem, como a experimentaram os portugueses ao longo de séculos, e que os nossos filósofos designaram como uma síntese divina do movimento e da quietude.

 Se o tempo está directamente ligado ao espaço, o não tempo reside no centro, esse refúgio, diria um budista, ou umbigo de Deus, digo eu, essa síntese de tudo, onde tudo é possível, e os poderosos do mundo deixam de ter poder.

É depois de terem vivido a experiência da Ilha do Amor, esse espaço outro ou não espaço, mas não menos real, essa ilha de que cada um é habitado, que os portugueses podem conhecer a eternidade com que o tempo se domina:

«Levam refresco e nobre mantimento;

Levam a companhia desejada

Das Ninfas, que hão-de ter eternamente,

Por mais tempo que o Sol o Mundo aquente.» (3)

 

Por isso, volto a citar António Telmo em O Segredo dos Lusíadas:

«É deste ponto de vista que sugerimos ao leitor a aproximação d’Os Lusíadas. Aquilo que neles é dado como histórico, como discurso no tempo histórico e expansão no espaço geográfico, se for reflectido à luz do Arquétipo da Ilha, tornar-se-á transparente pela instauração interior e exterior do espaço e do tempo da alma. Deixarão Os Lusíadas de ser uma epopeia do passado, ensináveis nas escolas que do passado se ocupam. E aquilo que um dia escrevemos e dissemos – que Os Lusíadas são o Livro Sagrado de Portugal –, não terá sido uma palavra vã.» (4)

 

Porém, nesta dimensão do denso onde estamos a comunicar, tempo e espaço são dificilmente separáveis. Talvez por isso, alguns sem tecto, não todos, mas em todo o caso alguns, que não vivem a sua condição como fatalidade, mas como escolha, ou pelo menos como semi-escolha, ou escolha inconsciente para se sentirem senhores do tempo, sentem necessidade de abdicar da senhoria do espaço. Como se não fosse possível acumular duas mordomias, espaço e tempo. Como se a hipoteca da alma, que é o preço de um espaço, ou pelo menos assim a sentem, fosse impeditiva do domínio do tempo. Ou da condição que a ele conduz, que é o desinteresse. Os senhores do tempo não pensam no tempo, sentem o corpo na sua relação com os ciclos. Levantar, comer, vagabundear, dormir... entre a estrela da manhã e a da tarde se pontua a liberdade dos sem tecto. Modernos místicos, os que vivem no asfalto. Talvez por essa razão seja frequente ver pessoas sem abrigo acompanhadas por animais, esses outros seres que vivem acima do tempo.

Recordemos, porque não é demais, a crença de escassez da humanidade, já atrás referida, que radica na primeira respiração do mundo. Quando a passagem da película de protecção e abundância sem esforço que é a placenta se faz para a aflição do primeiro ar sofrido a choro, do primeiro medo de que não baste, de que o ar rareie, não seja suficiente para viver. Do extremo conforto à aflição da rarefacção do ar, dor na divina ventoinha interna. Esse sentimento de escassez vai contagiar toda a nossa relação com o mundo. Se nos falta o ar ao entrar na vida, ficamos plasmados nessa crença: se não há ar que sustente o meu viver, como é que há vida? Neste medo começa tudo: os que amealham, acumulam e roubam, e os que se deixam roubar. Mas a experiência foi semelhante e a crença é a mesma. A de que não existe ar suficiente no Universo. À crença da insuficiência do ar acrescentam-se as outras: amor, dinheiro, tempo... Uns pagam pelo ar, pela telha, pela água e pelo sol, outros recebem e amealham. Outros desistem. Mas todos têm medo. Todos são mendigos. Mendigos roubam mendigos. A única salvação dos que se sentem despojados do pouco que acreditam existir é o tempo. Esse luxo dos que não têm nada, inacessível aos que, violando, acreditam ter tudo. Não tem fonte de alimentação, não faz parte de uma experiência táctil, não se come, não se bebe, não se vê. É como se não existisse, como o ar. Subtil sistema de escravização dos dominadores. Existe uma conspiração dos silenciosos, por isso não posso dizer isto muito alto, que é permitir que os que se mostram como dominadores se vão deixando abater por esse silencioso cavalo de Tróia que é o tempo: invisível, subtil, insinuante, poderoso.

Assim tem sido. Mas não tem de ser assim. A arte pode ser uma escola de libertação desta infernal cadeia onde todos sofrem.

Quando o criador tem em mãos a sua obra, não há tempo. Apenas o escurecer ou o clarear do dia testemunha a passagem das horas. Artistas e mendigos são cúmplices desta revolução silenciosa com o tempo que está para lá de todos os tiques e ataques, de todos os tiquetaques.

Sobre o antiquíssimo drama da pobreza no mundose falarmos com adultos (e tenho levantado este assunto, para testar), sobre esta ideia da erradicação da pobreza passando pela ilegalização, olham-nos esbugalhadamente como se estivéssemos loucos. Mas as crianças, essas, acham normal. Porque é. E porque ainda não enlouqueceram. Mas é preciso mostrar-lhes que não estão sós e que há ainda uns adultos que as compreendem. Não é que elas precisem de aprender o que já (ainda) sabem. Nós é que precisamos delas, para que não esqueçam ou não desistam. São a nossa segurança e a nossa memória. Por isso é importante recordar a festa judaica de Chavuoth, evocada por António Carlos Carvalho, no Congresso Internacional sobre o Espírito Santo, que se realizou no passado Setembro em Alenquer:

«[…] Mas havia pelo menos uma festa que podiam celebrar às claras, mesmo nesse regime opressivo e de quotidano vigiado: a festa de Chavuoth. Falamos do Pentecostes, da festa do Espírito Santo, ou do Divino, um culto essencialmente popular, celebrado em quase todo o País desde tempos muito antigos, embora depois tivesse sido oficializado por D. Dinis e pela rainha Santa Isabel.

[…]Chavuoth é também a festa da realeza, a de Deus, Rei dos Reis – daí a coroa e a coroação do Imperador, que era sempre um homem pobre e humilde (antes de passar a ser um menino), como David e uma figura do Rei-Messias. E essa é uma outra faceta de que esta festa se reveste: o seu carácter messiânico – o anúncio de um tempo em que não haverá fome nem sede (por isso o bodo da festa inclui pão, carne e vinho para todos), em que não haverá mais injustiças (daí a libertação dos presos das cadeias, como ainda se pode ver nas Festas do Divino em Paraty, Brasil) e em que reinará a paz no mundo e o reconhecimento universal  do Deus Uno, tal como foi anunciado pelos profetas inspirados pelo Espírito de Santidade – como Obadias, cuja profecia inclui uma referência a Sefarad, o nome bíblico da Península Ibérica. […]» (5)

«Não haverá fome nem sede», nem falta de tempo. Porque toda a carência é a mesma carência e a fome é de pão, de tempo e de amor.

Nós temos uma antiquíssima vocação e experiência e fé em e de como fazê-lo. Precisamos apenas de nos lembrarmos de lembrar.

 

Lisboa, 17 de Outubro de 2016

(1)Texto construído a partir de uma reflexão que serviu como base à minha participação no evento "Socorro! Estou sem tempo" Seminário que decorreu no Museu do Dinheiro no dia 17 de Outubro, dia Internacional para a erradicação da pobreza.. "Pelo humano como obra de Arte" (A pobreza dos sem tempo). Projecto Impossible - Passionate Happenings criado por Henrique Pinto.

(2)  TELMO, António. Luís de Camões e o Segredo d’ Os Lusíadas. III volume das Obras Completas. Ed. Zéfiro. Junho de 2015

(3)  Idem, ibidem

(4)    CAMÕES, Luís de. Os Lusíadas. Canto X, 143

(5)     TELMO, António. Luís de Camões e o Segredo d’ Os Lusíadas. III volume das Obras Completas. Ed. Zéfiro. Junho de 2015

(6)    CARVALHO, António Carlos. “O Marranismo e o Culto do Espírito Santo em Portugal”, in: http://www.antonio-telmo-vida-e-obra.pt/news/universo-telmico-40/