UNIVERSO TÉLMICO. 39

14-06-2016 12:27


A Bíblia na Maçonaria
Risoleta C. Pinto Pedro

 

Para a Estela,

estrela “entre as flores”

(in Os Lusíadas)

 

Celebro multiplamente este dia.

Pelo aniversário da Estela, por eu poder estar presente, pela beleza do lugar de tolerância e alquimia que é o convento de Dominicanas onde nos encontramos, pelo colo que este dia é, assinalado por vários símbolos:

A cruz na parede exterior da capela, uma cruz côncava, a lembrar um colo, um útero ou um berço, a única cruz capaz de me fazer reconciliar com tudo o que de doloroso a cruz me evoca. Já aqui estivera há uns anos, esta cruz já aqui estava, mas os meus olhos encontravam-se, ainda, despreparados para a ver além do olhar. A cruz antecipava já esta assembleia aqui colocada em semi-círculo, como um colo, um berço ou um útero.

Por isso, por ser dia de Natal de uma Estrela, aqui trago uma passagem de um texto de António Telmo, um iniciado ainda antes de o ser, o filósofo do futuro, aquele que sempre desejou e perseguiu aquilo que ele designava como a síntese superior: a conciliação harmónica e amorosa entre o cristianismo e o judaísmo, na sua mais alta expressão.

É ele um dos que melhor pensaram e escreveram sobre a palavra enquanto lugar simbólico e sagrado. E o conceito de Misteriosofia.

E cito:

“[…] uma Loja não pode nem deve funcionar como um liceu ou uma universidade, onde um professor ou professores transmitem um saber previamente conhecido, ao alcance de qualquer profano dotado de um mínimo de inteligência e suficientemente aplicado. Na Loja estamos perante um mistério, mais do que isso fazemos parte desse mistério. Emprego a palavra mistério no seu sentido original e não na acepção que popularmente recebeu de insólito e contrário ao curso natural dos fenómenos. No seu sentido original a palavra deve ser referida à sua raiz um, comum a outras palavras como Mudo, murmúrio, mito e místico. Ao pronunciarmos o fonema m fechamos os lábios. Fechamos a entrada da caverna bucal, que é o lugar do Verbo. Escrevo na véspera de Natal, por isso, por isso, ao dizer o que digo, logo me ocorre a gruta onde nasceu o Menino Deus.

Tendo em conta esta etimologia do mistério, não é difícil ver que o ensino aqui se faz pelo silêncio, um silêncio que se torna significativo, no que ele tem de mais profundo, pelas indicações subtis, por aquilo que há de menos discursivo nos ritos e nos símbolos. Os sinais, os toques, as letras e os nomes são talvez o que melhor exprime o que pretendo significar com o termo de «indicações subtis».[…]”

In: TELMO, António. A Aventura Maçónica, Viagens à Volta de um Tapete

Ed. Zéfiro, 2011

Assim, como introdução a esta celebração do Natal de Estela através da palavra sagrada do Livro, uma forma de silêncio, nesta gruta circular assinalada por uma cruz maternal, eu não poderia ter encontrado melhor texto nem melhor autor.

E assim entro no tema que me foi proposto.

Os textos bíblicos que aparecem nos rituais maçónicos, os quais, começo por informar, estão disponíveis em livrarias especializadas ou em secções especializadas de livrarias, ou na Internet, pelo que poderão confirmar tudo o que aqui afirmo, são, na sua maioria, os do Antigo Testamento, mas não só.

Pela sua extraordinária simbologia, a Bíblia presta-se a exercícios de reflexão e estímulo no rituais iniciáticos, como é o caso do maçónico.

Este facto vem repor ordem e verdade naquilo que por vezes se diz acerca de uma pretensa hostilidade entre a Maçonaria e Religião, que não é de todo verdade. A prová-lo, muitos homens da hierarquia da Igreja, nomeadamente bispos e cardeais que pertenceram e pertencem à Maçonaria, assim como muitos cristãos e judeus dela fazem parte. É um problema que a alguns interessa alimentar, mas que não é real.

A Maçonaria não é hostil a nenhuma religião, pelo contrário, a todas abarca, e até agnósticos e ateus aí podem, em algumas lojas, ter lugar. O que acontece com frequência. No rito francês é muito frequente encontrar maçons ateus e agnósticos em franca maioria. Juntamente com crentes. E todos se aceitam e respeitam.

Há Lojas e/ou Odediências onde, para ingressar, é preciso verbalizar uma crença em alguma entidade transcendente, seja ela qual for, independentemente de qualquer religião, mas em outras nem isso é necessário. E lá dentro é possível encontrar lado a lado, trabalhando simbolicamente em conjunto, ateus, agnósticos, cristãos, judeus e crentes de outras religiões.

Centrar-me-ei sobretudo em alguns ritos maçónicos, em particular no Escocês Antigo e Aceite.

A simbologia bíblica está presente de diversas formas:

Com: A- símbolos, desenhos, objectos: B- através da presença dos próprios textos bíblicos no ritual; C- em palavras bíblicas usadas como palavras-passe ou palavras sagradas; D- em alusões ou gestos

A-     Sob a forma de símbolos, desenhos, objectos

             1 . A presença do livro sagrado no altar.

Em muitas lojas, não em todas, a Bíblia está presente. Não está lá enquanto livro de uma, duas ou três religiões (e aqui refiro-me às designadas três religiões do Livro: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo, mas enquanto símbolo do texto sagrado. Normalmente aberta no primeiro capítulo do Evangelho de S. João, nomeadamente em lojas do Rito Rectificado e no Martinismo.

Em algumas lojas maçónicas o livro pode ser a Torah, o Alcorão, os Vedas, o Tao Te King, ou vários. Outras optam pela presença de um livro branco.

É natural que aquele texto sobre a luz (como vamos ver) esteja no altar, onde também é colocada a luz (uma lamparina) a partir da qual todas as luzes do templo serão acesas.

Uma parte dos versículos da passagem que se segue (6-8) é lida no ritual de S. João de Verão, pelo Orador:

INÍCIO DO EVANGELHO DE JOÃO

(1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

2 Ele estava no princípio com Deus.

3 Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

4 Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.

5 E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.

6 Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.

7 Este veio para testemunho, para que testemunhasse da luz, para que todos cressem por ele.

8 Não era ele a luz, mas para que testemunhasse da luz.

9 Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.

10 Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu.)

 

O quinto versículo deste poema simbólico, pois assim o leio, contém a afirmação:

“a luz resplandece nas trevas”, o que é muito próximo do que o Orador, um dos oficiais de uma Loja Maçónica e um dos  três oficiais que estão no Oriente, verbaliza no final da sessão de trabalhos na Maçonaria:

“A luz resplandece mesmo na obscuridade mais profunda”

2. À entrada do templo maçónico existem duas colunas, Jaquin e Boaz. À semelhança do templo de Salomão, na Bíblia descrito.

Há quem relacione “Jaquin” com estabilidade e “Boaz” com poder, o que faz sentido, sendo as colunas que sustentam a entrada.

A propósito, cito, do Livro dos Reis 7, e chamo a atenção para o rigor da descrição:

“1 Salomão levou treze anos a terminar a construção do seu palácio.

[…]

10 Os fundamentos eram também feitos de pedras escolhidas de grande dimensão, pedras de dez e de oito côvados.

11 Por cima havia ainda pedras escolhidas, talhadas sob medida, e traves de cedro.

12 O muro, que cercava o grande pátio, tinha três ordens de pedras talhadas e uma fileira de vigas de cedro, assim como no pátio interior do templo do Senhor e no pórtico do palácio.

13 O rei Salomão mandara vir de Tiro um homem que trabalhava em bronze, Hirão,

14 filho de uma viúva da tribo de Neftali, cujo pai era de Tiro. Hirão era talentoso, cheio de inteligência e habilidade para fazer toda espécie de trabalhos em bronze. Apresentou-se ao rei Salomão e executou todos os seus trabalhos.

15 Fez duas colunas de bronze: a primeira tinha dezoito côvados de altura; a sua periferia media-se com um fio de doze côvados. Tinham quatro dedos de espessura e eram ocas. A segunda coluna era semelhante a esta.

16 Fundiu dois capitéis para pô-los no alto das colunas; ambos tinham cinco côvados de altura,

17 e eram ornados de redes de malhas e grinaldas em forma de cadeias; havia sete grinaldas para cada capitel.

18 Dispôs em círculo ao redor de cada uma das malhas duas fileiras de romãs, para ornar cada um dos capitéis que cobriam as colunas.

19 Os capitéis sobre as colunas no pórtico tinham a forma de lírios, com quatro côvados de altura.

20 Os capitéis colocados sobre as duas colunas elevavam-se acima da parte mais grossa da coluna, além da rede; em volta dos dois capitéis, havia duzentas romãs dispostas em círculo.

21 Hirão levantou as colunas no pórtico do templo; a coluna direita, que chamou Jaquin, e a esquerda, que chamou Boaz.

22 Por cima das colunas pôs um trabalho em forma de lírio. E assim foi acabada a obra das colunas.)”

Assim são, também,  as colunas do templo maçónico, em cima coroadas por lírios e romãs.

Esta extensa descrição arquitectónica pormenorizadíssima, como um engenheiro a faria, faz-nos pensar em várias possibilidades. Para que não esqueçamos como se faz um templo? Ou para termos presente que os pormenores não são detalhes? Ou então, que os detalhes não são pormenores? Ou porque tudo é símbolo, e não é igual, do ponto de vista das repercussões cósmicas, um templo ter duas colunas com dezoito côvados de altura e a sua periferia medir-se com um fio de doze côvados, ou as medidas serem outras… Que as formas, as quantidades e as medidas da matemática e da geometria não são aleatórias, mas de natureza essencial e de repercussões dramáticas ao nível do Universo?

Não é ao acaso que cada maçon ocupa um determinado lugar no Templo, consoante o seu grau e função. A Loja é um templo, e na construção dos edifícios não é indiferente o lugar onde cada pedra é colocada. Cada maçon é uma pedra sobre a qual se ergue o templo. Dos alicerces que todos representam, e da sua qualidade, depende a qualidade da estrutura, que deve honrar o seu construtor, o Grande Arquitecto.

Vejamos o rigor na descrição das medidas de um templo maçónico:

“A sala deve ser um duplo quadrado a Ocidente com um Oriente semi-circular e deve ter pelo menos dois terços a mais no sentido do comprimento do que no da largura. A extremidade do fundo está mais elevada que a restante parte do Templo: é o Oriente, para o qual se sobe transpondo-o com três passos ou degraus. Entra-se no Templo pelo ocidente. “

B-    A presença de textos no ritual

. Lendas simbólicas

Como é o caso da lenda de Hiram, o construtor do templo de Salomão, acima referido:

O nome Hiram Abiff, figura altamente simbólica no ritual maçónico, não consta na Bíblia, mas existem referências a pessoas chamadas Hiram, que são:

Hiram, rei de Tiro, referido em II Samuel 5:11 e em I Reis 5:15-32 por ter enviado material de construção e um homem para a construção do templo original de Jerusalém.

Em I Reis 7:13–14, Hiram é descrito como um homem de Tiro que trabalhava em bronze, filho de uma viúva da tribo de Neftali .

Quanto à lenda de Hiram Abiff , o nome é de origem hebraica, embora os dois Hiram referidos na Bíblia proviessem do Líbano. Temos Hiram ou Hirão rei de Tiro e Hiram Abiff, o artífice que esse Rei enviara a Salomão para o embelezamento do Grande Templo.

Como vimos, o relato bíblico tece louvores à habilidade profissional de Hiram: “era talentoso, cheio de inteligência e habilidade para fazer toda espécie de trabalhos em bronze.”

Contudo, por ocasião da consagração do Templo, não é mencionado.

Talvez por isso, devido ao apagamento em torno dessa personagem, se tenha criado, no universo maçónico, a Lenda de Hiram Abiff, que assim assume um valor simbólico ainda mais acentuado e o dá como tendo sido assassinado por três maus companheiros. Hiram, o arquiteto, existiu; a história dos Hebreus refere-o; na lenda foi assassinado por três companheiros, porque ele era o único que sabia decifrar as escrituras do templo de Salomão, pelo que era alvo de inveja.

A propósito disto, mas sem grandes interpretações, recordo que é a palavra “inveja” aquela que encerra a nossa grande Bíblia épico-lírica chamada Os Lusíadas.

Segundo a etimologia, a palavra inveja, formada pelos étimos latinos in (dentro de) e videre (olhar), aponta para um olhar penetrante, um olhar que se insinua no outro, algo que adquire uma má conotação.  Uma outra interpretação vê no prefixo in o seu outro significado de negação, e assim  entende a inveja como um olhar pela negativa, aquele que ao invés de incluir, exclui, a inveja  é o sentimento daquele que não vê, aquele que não consegue aceitar sem desconforto, a diferenças entre ele e o outro, que vê as qualidades alheias como exclusivas do outro, que não consegue vê-las em si e as considera fora do seu alcance, com o sofrimento que isso traduz.

Em termos de auto-conhecimento das insondáveis sombra da alma, esta lenda tem potencialidades iniciáticas profundas, daí a sua inclusão no ritual do Rito Escocês Antigo e Aceite da Maçonaria, que contempla Hiram Abiff, ao qual é associada uma simbologia esotérica que a liturgia iniciática maçónica inclui.

O simbolismo da palavra Abiff aumenta se tivermos em conta que se trata de uma palavra composta pelas iniciais extraídas de outras quatro palavras que também são letras: Aleph, Beth, Iod e Vav, todas hebraicas. Significa "pai". É também, um título de reverência. O Rei de Tiro ao referir-se ao seu artífice chama-lhe "meu pai Hiram". No Livro de Crônicas, é chamado "Seu Pai, Hiram Abiff". O apelido resulta como título de honra a Hiram, o pai da construção do Grande Templo.

C-    Sob a forma de palavras passe ou palavras sagradas.

É o caso da palavra Shibboleth, no ritual maçónico sendo uma palavra ritualística de valor muito importante, uma palavra passe, já se vai perceber porquê:

No Antigo Testamento, em Juízes 12: 1-15, está escrito que esta palavra foi usada para distinguir entre duas tribos semitas, os gileaditas e os efraimitas, que se encontravam em luta. Os gileaditas, vencedores, bloquearam todas as passagens para o Rio Jordão a fim de evitar que os efraimitas fugissem. Os guardas exigiam que todos os que ali passassem pronunciassem a palavra "shibboleth", mas como os efraimitas não tinham o fonema /x/ no seu dialeto, só conseguiam pronunciar "sibboleth", utilizando o fonema /si/ na primeira sílaba, sendo assim reconhecidos e executados.

 

NA BÍBLIA:

Juízes 12
“…Depois os homens de Gileade tomaram de Efraim as passagens do Jordão, de maneira que, quando um fugitivo de Efraim solicitava: “Deixa-me passar!” Os gileaditas perguntavam-lhe: “És eframita?” Se declarava: “Não”,  ordenavam-lhe: “Então diz: Shibolet”. Se a pessoa dissesse “Sibolet”, sem conseguir pronunciar corretamente a palavra, prendiam essa pessoa e matavam-na no lugar de passagem do Jordão. Quarenta e dois mil efraimitas foram mortos naquela época. Jefté comandou o povo de Israel durante seis anos. Então Jefté, o gileadita, morreu e foi sepultado na sua cidade natal, nas terras de Gileade. »

Igualmente, mas sem perigo de morte, um dos graus da maçonaria tem como palavra-passe a expressão “Shibbolet”. Sem ela não é permitida, nesse grau, a entrada no Templo.

D-   Sob a forma de alusões ou gestos:

. Por exemplo, a alusão ao facto de as lojas maçónica serem normalmente designadas como lojas de S. João, o patrono da maçonaria. Que há quem considere que são os dois; o Baptista e o Evangelista, respectivamente celebrados pelos maçons por ocasião dos solstícios de Verão e de Inverno.

Entre os antepassados da maçonaria, na Europa, era também normal escolher-se um santo protetor para cada corporação de ofício. Resultou assim, que os dois santos, São João Batista e São João Evangelista tenham sido eleitos como os padroeiros das associações de pedreiros e construtores das catedrais, que sustentam uma parte da história da maçonaria.

Filho do sacerdote Zacarias e Isabel (Elizabete), prima de Maria, mãe de Jesus, João Baptista foi considerado profeta e tido pelos cristãos como o precursor do prometido Messias (ou Cristo). Baptizou Jesus "o Cristo" bem como muitos outros, e introduziu o baptismo de gentios nos rituais de conversão judaicos, que mais tarde foram adaptados pelo cristianismo e que encontramos também na maçonaria pelo valor simbólico que se dá à água enquanto elemento ritualístico. São João Batista é o precursor da Luz e com a prática da purificação, pela água, é considerado o profeta das iniciações. Uma organização iniciática como é a maçonaria não poderia ignorar este grande Iniciador do Jordão.

. Como é a já referida alusão ao facto de o templo maçónico pretender ser uma réplica simbólica do Templo de Salomão, edifício construído por este rei de Israel para a Glória de YAHWE.

. O facto de os juramentos serem prestados com a mão sobre o Livro, que frequentemente é a Bíblia.

. A comunhão: por ocasião de um dos solstícios e nos ágapes rituais, existe a partilha do pão e do vinho.

Na Eucaristia;

“ Lucas 22:19-20

Tomando o pão e tendo dado graças, partiu-o e deu-o aos discípulos, dizendo: Este é o meu corpo que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.

Depois da ceia tomou do mesmo modo o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança em meu sangue, que é derramado por vós.”

 No Banquete de Ordem Maçónico:

“Que este gesto seja o símbolo da partilha do alimento do corpo e do espírito”

O Venerável parte um pão em dois, toma um bocado e reparte o resto à sua direita e à sua esquerda.  Depois bebe da sua taça, imitado por todos os convivas, após ter dito:

“Que este vinho aqueça o nosso corpo e conforte em nós o amor fraternal”.

Uma outra alusão surge no ritual de S. João de Verão, ou Evangelista, onde  perante a pergunta:

“Porque escolheram os Franco-maçons S. João Baptista como seu patrono?”, um oficial responde: “Porque ele consagrou a sua vida à tarefa de abrir os olhos dos seus contemporâneos para a LUZ que brilha na trevas e permaneceu fiel a essa missão até à sua morte.”

A luz é a da liberdade, a expressão superior do Amor, a libertação individual, não com um foco egoísta, mas fraterno, o mais alto ideal de liberdade, isto é, a liberdade para todos, a conduzir a ideia de igualdade e fraternidade. Que, afinal, atravessa toda a Bíblia, desde a preocupação com a justiça, uma forma de igualdade, no Antigo Testamento, ao alto ideal do Amor fraterno, compassivo e incondicional que a presença de Cristo imprime ao segundo. Para a total libertação da Humanidade, num Império que alguns apelidam de Espírito Santo.

 

Risoleta Pinto Pedro, 21 de Maio de 2016

 http://www.triplov.com/novaserie.revista/barra_590.jpg

A Bíblia no ritual maçónico

(textos bíblicos:)

 

INÍCIO DO EVANGELHO DE JOÃO

 

(1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

2 Ele estava no princípio com Deus.

3 Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

4 Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.

5 E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.

6 Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.

7 Este veio para testemunho, para que testemunhasse da luz, para que todos cressem por ele.

8 Não era ele a luz, mas para que testemunhasse da luz.

9 Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.

10 Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu.)

 

 

Livro dos Reis 7:

“1 Salomão levou treze anos a terminar a construção do seu palácio.

[…]

10 Os fundamentos eram também feitos de pedras escolhidas de grande dimensão, pedras de dez e de oito côvados.

11 Por cima havia ainda pedras escolhidas, talhadas sob medida, e traves de cedro.

12 O muro, que cercava o grande pátio, tinha três ordens de pedras talhadas e uma fileira de vigas de cedro, assim como no pátio interior do templo do Senhor e no pórtico do palácio.

13 O rei Salomão mandara vir de Tiro um homem que trabalhava em bronze, Hirão,

14 filho de uma viúva da tribo de Neftali, cujo pai era de Tiro. Hirão era talentoso, cheio de inteligência e habilidade para fazer toda espécie de trabalhos em bronze. Apresentou-se ao rei Salomão e executou todos os seus trabalhos.

15 Fez duas colunas de bronze: a primeira tinha dezoito côvados de altura; a sua periferia media-se com um fio de doze côvados. Tinham quatro dedos de espessura e eram ocas. A segunda coluna era semelhante a esta.

16 Fundiu dois capitéis para pô-los no alto das colunas; ambos tinham cinco côvados de altura,

17 e eram ornados de redes de malhas e grinaldas em forma de cadeias; havia sete grinaldas para cada capitel.

18 Dispôs em círculo ao redor de cada uma das malhas duas fileiras de romãs, para ornar cada um dos capitéis que cobriam as colunas.

19 Os capitéis sobre as colunas no pórtico tinham a forma de lírios, com quatro côvados de altura.

20 Os capitéis colocados sobre as duas colunas elevavam-se acima da parte mais grossa da coluna, além da rede; em volta dos dois capitéis, havia duzentas romãs dispostas em círculo.

21 Hirão levantou as colunas no pórtico do templo; a coluna direita, que chamou Jaquin, e a esquerda, que chamou Boaz.

22 Por cima das colunas pôs um trabalho em forma de lírio. E assim foi acabada a obra das colunas.)”

 

Juízes 12
“…Depois os homens de Gileade tomaram de Efraim as passagens do Jordão, de maneira que, quando um fugitivo de Efraim solicitava: “Deixa-me passar!” Os gileaditas perguntavam-lhe: “És eframita?” Se declarava: “Não”,  ordenavam-lhe: “Então diz: Shibolet”. Se a pessoa dissesse “Sibolet”, sem conseguir pronunciar corretamente a palavra, prendiam essa pessoa e matavam-na no lugar de passagem do Jordão. Quarenta e dois mil efraimitas foram mortos naquela época. Jefté comandou o povo de Israel durante seis anos. Então Jefté, o gileadita, morreu e foi sepultado na sua cidade natal, nas terras de Gileade. »

 

Na Eucaristia;

 

 

Lucas 22
:19-20

Tomando o pão e tendo dado graças, partiu-o e deu aos discípulos, dizendo: Este é o meu corpo que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.

Depois da ceia tomou do mesmo modo o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança em meu sangue, que é derramado por vós.